

Bebeto Galvão, conhecido político de Ilhéus, usou suas redes sociais para entrar em cena com o objetivo de defender o Governo do Estado em relação a duplicação da BA-001 na região sul do município. Ele disparou contra Thiago Martins, que havia noticiado a retomada das obras como um evento político na tentativa de melhorar a imagem do governador Jerônimo, além de abrir a cancela para o retorno de Rui Costa. Segundo o vídeo de Thiago, as máquinas voltaram a circular, o governador veio, e então tudo paralisou novamente.
Bebeto, contudo, chamou o post de fake news. O argumento central de Galvão foi na direção de uma paralisação que, segundo ele, seria fruto de uma greve de trabalhadores por direitos. Para Galvão, Thiago Martins estaria fazendo “uso político” dessa greve para desacreditar seus pares.
Eis o nó da questão: se é greve, por que só uma máquina no local? Se é movimento legítimo, por que a completa ausência de faixas, camisas vermelhas e de líderes sindicais em ato? E, principalmente, por que um problema trabalhador-democrático virou, nas mãos do governo, uma suposta cortina de fumaça para explicar três anos de paralisação?
Contra fatos não há argumentos: a BA 001 está parada há mais de três anos. Incluindo boa parte do período em que Bebeto Galvão ocupou o cargo de vice-prefeito. Naquela época, a narrativa era outra: processo licitatório. Demorou três anos para sair um edital. Um recorde digno de Harry Potter e o Enigma da Licitação. Agora, o discurso muda: “são greves de trabalhadores”. Ninguém viu assembleia e ninguém ouviu pauta. Todos sabem de que lado político costuma soprar os ventos sindicais na Bahia.
Será que o governador e seus aliados sonham com um mandato tão longo quanto o de Fidel Castro em Cuba que foi de 49 anos? Porque, quase metade desse tempo já se foi e a BA 001 continua sem solução. Isso é democracia? Ou é a arte de transformar obras públicas em eternos ensaios gerais? Thiago Martins mostrou vídeos. A população conferiu com os próprios olhos o abandono. E a pista continua lá, como uma ferida aberta no mapa do desenvolvimento. Qual será a próxima narrativa de Galvão para a continuidade da paralização ou outras interrupções na mesma via? Quem viver, verá.