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MAIS UM CAPÍTULO DO TRANSPORTE GRATUITO EM ILHÉUS

Seria possível mesmo o transporte público gratuito em ilhéus ou se trata de uma estratégia eleitoral requentada?

Redação
Por: Redação
15/06/2026 às 16h42 Atualizada em 15/06/2026 às 19h14
MAIS UM CAPÍTULO DO TRANSPORTE GRATUITO EM ILHÉUS
FOTO: REPRODUÇÃO

O discurso soa bonito e gera aplausos: “Transporte público gratuito para todos”. Quem, em sã consciência, seria contra a ideia de que o cidadão ilheense possa embarcar em um ônibus sem pagar um centavo? Nenhum governo. Mas há uma diferença abissal entre o desejo generoso e a política pública possível. É justamente nesse fosso que uma pré-candidata local insiste em cavar sua trincheira populista, usando números com base em sua conveniência para tentar vender à população um sonho que, se realizado, quebraria as contas da cidade.

Ela apresentou o número de 143 municípios que operam com gratuidade do transporte. Só esqueceu de dizer que o recurso sai do município. A fonte da pesquisa é de uma associação de empresas de transporte. Ora, ou esta senhora desconhece o óbvio conflito de interesses, ou aposta na inocência do povo. Usar esses dados para “legitimar” uma proposta de gratuidade é, no mínimo, um desserviço ao debate sério.

Nossa reportagem pegou a mesma pesquisa e viu que há números que a pré-candidata esquece de mencionar ou esconde por conveniência.

Caucaia -CE -----54 ônibus ----- R$ 33,6 milhões
Maricá – RJ ----- 148 ônibus ----- R$ 87,6 milhões
São Caetano do Sul – SC ----- 63 ônibus ----- R$ 34,8 milhões
Formosa – GO ----- 4 ônibus ---- R$ 4,3 milhões

A pesquisa citada revela que, entre as cidades de porte semelhante ao de Ilhéus que conseguiram implementar a tarifa zero, o caso mais emblemático é Maricá (RJ). Uma cidade com planejamento, gestão de recursos de royalties do petróleo e possui uma frota de 148 ônibus. Ilhéus tem hoje cerca de 120 veículos em operação no sistema municipal. Projetando grosseiramente os custos de Maricá para a realidade ilheense, o número assusta. Ilhéus teria que desembolsar aproximadamente 72 milhões de reais levando em consideração a realidade carioca que detém mais recursos do que Ilhéus. 

A pré-candidata reclama de pagar 26 milhões, mas sugere implantar um sistema que custaria três vezes mais, sem apresentar uma fonte de receita crível. Fica uma ponte entre a incapacidade matemática e a desonestidade política. É o velho truque de prometer o céu aos eleitores, sabendo que o inferno fiscal ficará para o governante. A gratuidade universal do transporte é um objetivo nobre, mas exige planejamento e fontes de receita estáveis. 

No fim das contas, cobrar passagem ou dar gratuidade, é uma decisão técnica, não um slogan. Quem insiste em transformar um problema complexo numa frase de efeito não está fazendo caridade eleitoral. Será que a pré-candidata vai continuar repetindo a mesma falácia ou terá a coragem de mostrar a conta e quem vai pagá-la? A gratuidade é tão possível quanto quebrar as contas públicas, comprometer salários de servidores e serviços essenciais do município.

ACESSE AQUI A PESQUISA COMPLETA DO TARIFA ZERO.

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