

A pré-candidata a deputada federal Adélia Pinheiro (PT) voltou a defender, em entrevista a uma rádio local, a implantação da tarifa zero no transporte público de Ilhéus como uma medida viável e imediata. A declaração, porém, foi recebida com ceticismo por especialistas em gestão pública e gerou repercussão negativa. Na entrevista, ela mostrou desconhecimento técnico associado à irresponsabilidade fiscal que pode ferir de morte o erário. Para que a gratuidade ocorra, é preciso que triplicar o subsídio. Isso iria comprometer outras áreas fundamentais no orçamento como saúde, educação e infraestrutura.
“Não podemos dar R$ 26 milhões em contrato para empresas de ônibus sem contrapartida”, disparou Adélia, ao criticar os repasses do atual modelo de concessão. O problema, segundo analistas, é que a própria afirmação revela uma incompreensão básica sobre o financiamento do serviço público
Dados oficiais e operacionais mostram um abismo entre o discurso de Adélia e a realidade. Na sua cidade natal, Itabuna, o subsídio é de quase 3,5 milhões ao mês para 70 ônibus. Não há gratuidade. Em Ilhéus a frota é de 120 ônibus e o governo custeia 2,1 milhões mensais para garantir o modal para a população. É importante ressaltar de que esses valores já estão defasados devido aos preços dos combustíveis e componentes que subiram exponencialmente.
O incômodo com as declarações vai além do transporte. Adélia Pinheiro já ocupou três secretarias no governo do Estado (Saúde, Ciência e Tecnologia, e Educação), mas sua passagem é mais lembrada pelas controvérsias orçamentárias do que por resultados estruturais. Críticos apontam que, em nenhuma das pastas, ela demonstrou domínio sobre custos reais, fontes de receita e desenho de políticas públicas sustentáveis.
Adélia Pinheiro não sabe fazer contas ou aposta na desinformação do eleitor para tentar novamente vender uma promessa impossível? Defender tarifa zero é legítimo. Fazer isso sem estudo de demanda, sem estimativa de custo e sem apontar a fonte dos recursos não é política pública, é marketing eleitoral com dinheiro imaginário. Quem confunde promessa com orçamento já mostrou que não está pronta para governar, nem para representar.