

Enquanto a Prefeitura de Ilhéus luta para manter o transporte público funcionando sem reajuste para a população, um coro desafinado se levanta na Câmara de Vereadores para entoar o canto do caos. Protagonizam essa ópera do absurdo os vereadores Enilda Mendonça, Vinícius Alcântara e Maurício Galvão. O trio, que agora brada contra o subsídio municipal, rotulando a medida de “doação de dinheiro público”, parece ter sofrido de um mal misterioso: amnésia política aguda.
Vamos aos fatos. Sob as asas da gestão anterior (da qual eles faziam parte), esses mesmos parlamentares viram ser firmado acordo que garantia R$ 1,5 milhão mensais às empresas de ônibus até dezembro de 2024. Sendo que dentro deste mesmo acordo haveria um reajuste em janeiro de 2025 para 2,1 milhões. Doação? Desde quando fazer o transporte público funcionar é esmola?
O transporte público atende a quem? Atende ao trabalhador que acorda às 4h, ao estudante que pega dois ônibus para chegar à universidade, ao idoso que precisa ir ao posto de saúde. Fazer o serviço rodar não é “doar dinheiro para empresa”. É garantir mobilidade, é evitar caos, é pagar pelo serviço essencial que a iniciativa privada não consegue sustentar com tarifa congelada.
O subsídio de Ilhéus é o mais barato da região. Enquanto cidades vizinhas desembolsam muito mais por passageiro, Ilhéus ainda respira com um dos menores aportes per capita. Mas isso o trio não conta. Talvez porque atrapalhe o show.
Eis que surge um quarto elemento que também faltou às aulas de matemática e gestão pública: o vereador Adilson José (PT). Onde o trio critica o subsídio, Adilson vai além: requenta a pauta da gratuidade no transporte público. Para existir gratuidade, o recurso precisa sair de uma nova receita. E aí fica a pergunta que ele não quer responder: a população vai aceitar pagar mais impostos para bancar o "passe livre"?
O que se vê é Enilda, Vinícius, Maurício e Adilson, pensando dentro da moldura dourada de seus gabinetes. Esses mesmos vereadores brigaram para que a empresa São Miguel saísse da cidade. E agora reclamam do contrato da Atlântico. A população gostaria de saber qual é a empresa milagrosa que eles querem. Se apresentarem uma empresa de transporte interessada em operar em Ilhéus pelos preços que defendem, sem subsídio e com ônibus novos, certamente a Prefeitura adoraria economizar R$ 2,1 milhões por mês.
E enquanto o quarteto encena o mesmo espetáculo, quem perde é o passageiro graças a oposição que confunde gestão com teatro de arena. Se eles querem fazer política com o transporte público, que ao menos façam as contas. Do contrário, que entreguem a planilha ou o microfone.
ACESSE O ACORDO AQUI: https://cabrucanews.com.br/envios/2026/06/10/d60ee35c6483294764b85e914804adb41542eb90.pdf